Campanha em fundo colaborativo visa construção de Escola de Saberes Tradicionais e Parto idealizada


Dona Flor do Moinho, 78 anos, mãe de 18 filhos biológicos e outros 28 adotivos, conta que já realizou mais de 300 partos. Aos nove anos de idade, já preparava chás e infusões sob a orientação da mãe. Teve todos os seus filhos de parto normal, em casa, e cuidou de si mesma e de outras mães com os preparados de ervas e plantas do Cerrado. Sobre esse conhecimento Dona Flor explica:


“Aprendi tudo olhando, sempre fui muito curiosa. Queria saber o que acontecia quando a mãe ia ganhar a criança, logo me ofereci para ajudar. Era tudo muito normal. Tive meus filhos só, logo, uso muito o barbatimão, é a planta da mulher, não pode tomar muito não, mas antes de engravidar ele limpa tudo e depois do parto cicatriza. ”

Segundo Dona Flor, a grande herança de seus ancestrais é o conhecimento tradicional, fruto da união dos povos indígenas e negros oriundos da escravidão, muitos deles servidores dos garimpos durante a corrida pelo ouro que ocorreu na região.

Dona Flor já foi garimpeira, tropeira, quitandeira, tecelã e agente de saúde. Aprendeu o ofício de raizeira e parteira sozinha. Este último foi aos 18 anos, quando ajudou no nascimento de uma irmã. Seu último parto foi em 2008, mas hoje ela ainda dá aulas para agentes de saúde e doulas.


Os cursos são no próprio povoado. Dona Flor quer transmitir seu conhecimento porque sabe que não viverá muito e sente necessidade de deixar esse legado para as futuras gerações. Além do uso de ervas e plantas, a parteira tradicional contribui para o movimento com sua sabedoria e o cuidado que ela traz desde sempre em seus ensinamentos, muito antes de haver redes defensoras da humanização do parto.

"Eu queria ver por que é que a mulher ia ter o filho escondida no quarto. Eu queria saber como é. Só vou aprender quando tiver o meu filho? Quando eu for ter o meu eu vou ter é só. E tive o primeiro só", ela conta.

Com sua assistência, nasceram mais de 300 bebês no povoado. Alguns ela adotou. "Como ela diz, quase todos são seus parentes, pois muitos nasceram em suas mãos e por ela foram alimentados e cuidados durante os primeiros meses de vida".

Campanha de financiamento coletivo para Escola de Saberes Tradicionais e Parto

Com apoio de uma equipe de biólogos, professores e profissionais da região, Dona Flor inicia a realização de mais um sonho, uma Escola de Saberes Tradicionais no Povoado do Moinho, Alto Paraíso - GO

"Ela quer ter uma Escola, um espaço educativo... Nesta escola-casa, ela deseja realizar sua missão como mestra, ensinando novas/os aprendizes sobre os saberes tradicionais das ervas, das rezas, do partejar. Ela deseja ainda cuidar, apoiar e empoderar meninas e mulheres acerca dos seus direitos sexuais e reprodutivos. " Explica o texto em sua campanha de fundo colaborativo.


Colabore!

Para que Dona Flor realize esse sonho ela precisa da colaboração de todos que reconhecem a importância desse espaço para a transmissão desse conhecimento às novas gerações.

Acesse, contribua e compartilhe:

https://benfeitoria.com/escoladesaberesdonaflor

Dona flor já teve outra campanha criada com o intuito de produzir um documentário sobre sua história. A campanha foi um sucesso e o filme foi exibido varias vezes na cidade de Alto Paraíso. Confira a baixo trailer do filme.

Filme para a campanha de criação do documentário de dona flor (campanha ja finalizada):



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